Go-live ERP sem critério de aceite objetivo é aposta. Este checklist cobre os 30 itens de teste que separam viradas tranquilas de semanas de apagão operacional: dados migrados, fluxos ponta a ponta, cenários fiscais, integrações, cargas e rollback. Regra de ouro: cada item precisa de um dono e uma evidência — “testamos” sem artefato não conta.

Use este checklist em implantação nova, troca de versão ou migração para nuvem. O contexto de como automatizar a maior parte dele está no guia de teste de ERP.

Bloco A — Dados migrados (itens 1–6)

  1. Contagens batem: nº de clientes, fornecedores, produtos e títulos no sistema novo = legado (com relatório de divergências explicadas).
  2. Amostragem profunda: 20 registros de cada cadastro conferidos campo a campo — inclusive os campos customizados.
  3. Saldos contábeis e de estoque: balancete e posição de estoque do dia da corte idênticos nos dois sistemas.
  4. Títulos em aberto: contas a pagar/receber com vencimentos e valores íntegros.
  5. Histórico mínimo acessível: notas e movimentos do período legal consultáveis (ou plano claro de consulta ao legado).
  6. Dados sensíveis: acessos a dados pessoais (LGPD) revisados no novo ambiente.

Bloco B — Fluxos de negócio ponta a ponta (itens 7–14)

  1. Order-to-cash completo com cliente real migrado: pedido → faturamento → NF-e autorizada → título.
  2. Procure-to-pay completo com fornecedor migrado.
  3. Cenários fiscais críticos: ao menos um por situação relevante (interestadual, ST, isento, serviço/NFS-e).
  4. Cancelamentos e devoluções — o caminho reverso quebra mais que o direto.
  5. Fechamento simulado: um fechamento contábil/financeiro de mentira antes do primeiro de verdade.
  6. Folha em paralelo (se no escopo): uma competência calculada nos dois sistemas, com diferenças justificadas.
  7. Relatórios da diretoria: os 5–10 relatórios que o board realmente abre, conferidos contra o legado.
  8. Customizações: cada customização crítica com um teste específico e evidência.

Bloco C — Integrações (itens 15–20)

  1. E-commerce/CRM → ERP: pedido de teste atravessando.
  2. ERP → bancos: remessa/retorno (CNAB ou API) em homologação bancária.
  3. SEFAZ: emissão e autorização de NF-e em ambiente de homologação da SEFAZ.
  4. Integrações de logística/WMS/transportadoras.
  5. BI/data warehouse recebendo as cargas do novo ERP.
  6. Teste de indisponibilidade: o que acontece com o pedido quando a integração está fora? (fila? erro silencioso?)

Bloco D — Não-funcionais e operação (itens 21–26)

  1. Carga: o pico realista (dia de fechamento, Black Friday) simulado — tempos de resposta aceitos formalmente.
  2. Perfis e permissões: cada papel acessa o que deve e só o que deve; segregação de funções validada.
  3. Backup e restore ensaiados — restore de verdade, não a existência do backup.
  4. Plano de rollback escrito e testado: critério objetivo de acionamento (ex.: “faturamento indisponível por mais de 4h”) e o caminho de volta.
  5. Runbook do dia da virada: sequência, horários, donos, canais de comunicação.
  6. Suporte de guerra: escala de plantão do fornecedor/consultoria para as 2 primeiras semanas, por escrito.

Bloco E — Aceite e pós-virada (itens 27–30)

  1. Critério de aceite assinado: a lista de testes verdes que autoriza a virada — acordada ANTES, não negociada na véspera.
  2. Usuários-chave treinados e testados (não “treinamento dado”: exercício executado).
  3. Regressão automatizada de pé: a suíte que validou o go-live agendada para rodar semanalmente depois dele — o go-live é o começo dos releases, não o fim dos testes. (Como montar: automação no Protheus.)
  4. Revisão pós-virada marcada: D+7 e D+30 com os mesmos critérios do aceite.

Como usar o checklist de go-live ERP sem virar burocracia

Priorize: A e B são inegociáveis; C conforme suas integrações; D e E são o que separa empresas que dormem na virada. E automatize o Bloco B desde a homologação — com uma plataforma no-code como a TestBooster.ai, os mesmos testes rodam no aceite, no rollback e na regressão semanal para sempre. É o único jeito de o checklist se pagar três vezes.

Perguntas frequentes

Quanto tempo antes do go-live devo começar os testes?

Blocos A e B: 6–8 semanas antes, em ciclos. Integrações (C): 4 semanas. Carga e rollback (D): 2 semanas. Testar tudo na última semana é o padrão dos go-lives que dão errado.

O que é critério de aceite de go-live?

A lista objetiva e pré-acordada de testes que precisam estar verdes para autorizar a virada — com donos e evidências. Sem ela, a decisão vira pressão de cronograma.

Preciso repetir esses testes depois do go-live?

Os fluxos do Bloco B, sim — a cada release do fornecedor e semanalmente como regressão. Automatizá-los durante a homologação transforma o custo do go-live em patrimônio permanente.